quinta-feira, 31 de maio de 2012

As semelhanças entre o processo de modernização ocorridos na cidade de Sorocaba (SP) e Aracaju ( SE) nas primeiras décadas do século XX


O texto em questão tem por objetivo retratar as semelhanças entre os processos de modernização ocorridos na cidade de Sorocaba e Aracaju nas primeiras décadas do século XX.  Para encontrarmos essas semelhanças nos utilizaremos dos textos de Arnaldo Pinto Junior intitulado “As potencialidades da história local para a produção do conhecimento em sala de aula: o enfoque do município de Sorocaba” , os textos e as aulas da disciplina Sergipe II que trataram do processo modernizador em Aracaju.
Nas primeiras décadas do século XX, ocorreu o processo de importação de valores. Tanto a elite aracajuana quanto a elite de Sorocaba viviam imitando os europeus. O processo modernizador de ambas as regiões estava moldado nos ideais da Europa e de acordo com o modelo de civilização e progresso, a sociedade deveria recorrer ao embranquecimento da raça. O preconceito e a discriminação predominavam nas duas regiões e os negros e os pobres sofreram com a marginalização que lhes foi imposta. 
A modernização de Aracaju foi iniciada com a drenagem dos pântanos , dos lagos e com o aterramento foi se construindo uma cidade planejada. A partir de 1910 foram instaladas diversas indústrias , rede de esgoto , ferrovias e energia elétrica . 
O projeto modernizador de Aracaju visava a formação de um novo homem, um novo indivíduo  que a partir do seu trabalho iria alcançar o progresso.  O Instituto Profissional foi um marco para o progresso da história de Sergipe e a inauguração desse instituto no dia do trabalhador foi uma estratégia para atingir as massas, já que só através do esforço do trabalhador o progresso seria alcançado.
O ideal de progresso em Sorocaba e em Aracaju visava a negação do passado, visto como decadente  e que precisava de um futuro glorioso. Sorocaba que durante muito tempo esteve ligada as suas grandes feiras ,  encontra um atalho para um futuro promissor  , deixando o passado para trás e caminhando para o progresso com diversas inovações.

Resenha do Livro Os Corumbas de Amando Fontes



Os Corumbas de Amando Fontes foi um romance lançado em julho de 1933 . O livro recebeu diversos elogios por parte dos críticos da época e ganhou o Prêmio Felipe de Oliveira de Literatura. O autor nasceu no dia 15 de maio de 1899 na cidade de Santos e escreveu apenas dois romances: “Os Corumbas” e “Rua do Siriri”. 
 O romance fala da jornada percorrida pelos agricultores Geraldo Corumba, sua mulher Sá Josefa e seus filhos Rosenda, Albertina, Pedro, Bela e Caçulinha em busca de melhores condições de vida. Os agricultores saem do interior de Sergipe fugindo da seca que assolava a região agreste de Sergipe e partem para o Vale do Cotinguiba. Chegando lá encontram muitas dificuldades e com os baixíssimos preços que eram oferecidos pelos senhores de engenho aos que viviam do plantio da cana-de-açúcar , a vida se tornou insuportável. Eles são obrigados a se mudar novamente , dessa vez para Aracaju , local no qual passariam pelas piores situações de suas vidas.

A família sonhava que com a vinda para Aracaju, teriam uma vida digna e conseguiriam se sustentar com um emprego nas fábricas de tecido. O sonho logo se transformou em pesadelo , pois a realidade encontrada pela família Corumba foi totalmente diferente do que imaginavam.Tiveram que viver em um casebre com péssimas condições , sofriam com a exploração dos patrões e os salários que recebiam da fábrica mal davam para o sustento da família. 
Rosenda, a filha mais velha do casal, trabalhava na fábrica com o seu pai. Depois de conhecer o Cabo Inácio ela resolve fugir com ele, sendo posteriormente abandonada e acaba entrando para a prostituição. A situação de Albertina é bem parecida com a de Rosenda , ela se iludiu por um médico muito rico que lhe sustentava , mas que a acaba abandonando e ela entra para a prostituição na “famosa” rua do Siriri.
Pedro faz amizade com José Afonso, um intelectual que lhe apresenta ideias de Lênin e o influencia a se juntar a um grupo que organizava uma greve geral em Sergipe. Pedro e os outros “revolucionários” foram presos e deportados para o Rio de Janeiro. Depois que Pedro foi deportado, sua mãe coloca Bela para trabalhar na fábrica , a fim de ajudar nas despesas da família. As condições ruins de trabalho somadas com a saúde debilitada de Bela causaram a sua saída da fábrica e futuramente a sua morte.
A irmã mais nova, Caçulinha, era a maior esperança da família. Seus pais esperavam que ela não levasse a vida cheia de dificuldades que enfrentavam, mas que se tornaria uma professora no futuro e teria uma vida digna. Porém, ela teve que abandonar os estudos para trabalhar na fábrica, pois sua irmã Bela havia ficado doente e alguém teria que trabalhar para ajudar no sustento da família. Depois de tanta desgraça e de ver a família em ruínas, Geraldo e Josefa decidem sair da cidade de Aracaju e retomam a vida nos engenhos da região canavieira.
O romance de Amando Fontes, embora ficção , desempenha um papel muito importante de denúncia social, quando destaca as péssimas condições de trabalho dos operários que eram explorados e sofriam abusos. Além de observarmos o outro lado da modernização de Aracaju, percebemos que Os Corumbas continua sendo um livro muito atual, pois o  autor se preocupou com temáticas  como o êxodo rural , o abuso e a exploração dos patrões sobre o proletariado.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

I Seminário Sobre Alimentos e Manifestações Culturais Tradicionais


O I Seminário Sobre Alimentos e Manifestações Culturais Tradicionais ocorreu entre os dias 21 e 23 de maio na Universidade Federal de Sergipe. O seminário buscou refletir sobre os desafios enfrentados na produção dos alimentos tradicionais e das manifestações culturais na contemporaneidade. O evento foi coordenado pelo GRUPAM ( Grupos de Estudos e Pesquisas sobre Alimentos e Manifestações Culturais Tradicionais) e teve como comissão organizadora a Prof.ª Drª Sônia de Souza Mendonça Menezes , Prof.ª Drª Rosana Eduardo Silva Leal , Prof. Doutorando Christian Jean-Marie e pelo Prof. Dr. Antônio Lindvaldo de Souza.
No dia 21/05 ocorreram as inscrições, o credenciamento e a abertura seguidos da conferência do evento ministrada pela Prof.ª Drª Ellen Fensterseifer Woortmann. Ela falou sobre o papel da pesquisa e do ensino na valorização dos alimentos e demais manifestações culturais tradicionais na contemporaneidade.
No dia 22/05 o prof. Dr. Antônio Lindvaldo deu inicio ao seminário, apresentando a prof. Fabiana Thomé da Cruz que é da Universidade Federal do Rio Grande do Sul , possui graduação em engenharia de alimentos e esta fazendo doutorado na área  de qualidade dos alimentos. O coordenador da mesa também apresentou a prof. Maria de Fátima Farias que possui experiência em antropologia da alimentação.
Em seguida , a palavra foi passada para a Drª Luzineide que falou sobre o entendimento dos processos de produção de alimentos na contemporaneidade , visando uma nova ética com a natureza. Citou também a valorização socioambiental da caatinga e da necessidade de políticas públicas para o semiárido.
Dando prosseguimento ao seminário, a Prof.ª Fabiana Thomé da Cruz discutiu o que são os alimentos tradicionais, a questão da valorização e proteção desses alimentos. Ela destaca que a produção tradicional é artesanal e para que ocorra a valorização desses alimentos eles precisam ser reconhecidos como saberes e fazeres. A terceira foi Maria de Fátima Farias de Lima que através da utilização de vídeos e slides falou sobre o projeto comida no Ceará. As pesquisas de campo iniciaram em 2008 e foram até 2011, tendo sido percorrido cerca de 30mil km. Citou ainda os diversos objetivos e as inúmeras dificuldades enfrentadas como a sensibilidade das pessoas que relembravam situações passadas e a locomoção para lugares mais isolados.
A abertura do terceiro dia foi concebida pela Prof.ª Maria Augusta com o tema “As políticas de valorização das manifestações culturais no Brasil”. Ela falou que o estado tem o papel de reconhecer, preservar e proteger a partir de leis e órgãos políticos as manifestações culturais. Enfatizou que as políticas públicas são importantes para o reconhecimento do alimento e o seu processo de fabricação como patrimônio cultural. 
A próxima foi Claudia Vasquez, uma representante do IPHAN que retratou a questão do patrimônio imaterial. Ela falou sobre a política implantada no ano 2000, que visava a salvaguarda do patrimônio imaterial, valorizando a diversidade cultural. Esse decreto determinava o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro.





segunda-feira, 28 de maio de 2012

Viagem a Laranjeiras

No dia 11 de maio de 2012 , foi realizada uma visita a cidade de Laranjeiras. Nós (Cassiano , Luyse , Lívia e Anailza ) chegamos a cidade por volta de 9 horas da manhã e pretendíamos coletar imagens para os nossos vídeos - " Festividades em Laranjeiras" e "O movimento abolicionista em Sergipe".  

O nosso principal objetivo era visitar o Museu Afro Brasileiro e obter informações a cerca do Movimento abolicionista em Laranjeiras,  porém ele ainda estava fechado e só estaria aberto para visitação a partir das 10 horas. Dessa forma , resolvemos conhecer a cidade e nos deparamos com várias igrejas e praças que chamaram a nossa atenção.

Primeiramente visitamos a igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus e mais tarde , depois de subir uma grande ladeira ,  fomos visitar a Igreja do Senhor do Bonfim que fica localizada no ponto mais alto da cidade e onde tivemos uma bela vista do Vale do Cotinguiba.


                 














Igreja Senhor do Bonfim








                 








Igreja Matriz





Após sair da igreja , fomos mais a fundo na cidade e passamos pela Câmara Municipal e pela praça Coronel Marcolino Ezequiel que havia passado por reformas no ano de 2011.





















Praça Coronel Marcolino  ( Ignore o dedo )


Mais tarde visitamos Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Pardos , também conhecida como "Igreja do Galo " , que foi fundada em 1860 por homens pardos livres. E seguimos para a antiga casa da maçonaria   ( que hoje fica situada a ARLS - Sindicato dos trabalhadores rurais de laranjeiras) localizada ao lado de um antigo hospital abandonado onde lampião operou o olho.










































                 


Antigo Hospital


Por fim ,  visitamos o museu Afro Brasileiro que foi fundado em 28 de maio de 1976 e esta localizado em uma edificação do século XIX. O museu é um espaço dedicado a herança cultural africana , um espaço cultural de memória da identidade da população afro que é representado através de objetos que estão em exposição e comprovam a presença negra em Sergipe.










segunda-feira, 7 de maio de 2012

Relatório do Seminário : Índios em Sergipe e Índios Xokó (Hoje)

O seminário " Índios em Sergipe e Índios Xokó (Hoje)" foi realizado nos dias 19 e 20 de abril de 2012 no Campus de São Cristóvão. O evento foi organizado pelo Grupo de Pesquisa Cultural, Identidades e Religiosidades ( GPCIR ), sendo coordenado pelo Dr. Antônio Lindvaldo Sousa e pelos graduandos em história Marina Suzart , Marcos Paulo , Cacilda Santiago e Leandro Sousa que se dedicaram e contribuíram para a realização do evento.

 No primeiro dia (19/04) , ocorreu a apresentação da comissão organizadora e o professor Lindvaldo deu abertura ao evento citando a importância dos indígenas para a formação do nosso estado. Contamos ainda com a participação de Beatriz Góis Dantas que ressaltou a diferença entre os Tupis e os tapuias , a grande diversidade linguística e cultural presente entre os índios e os europeus , a existência de vários grupos indígenas em Sergipe ( Aramuru, Boimé , Kiriri , Tupinambá , Xokó ) , os processos de colonização que levaram a exploração e a ruína de muitos povos indígenas e as primeiras tentativas de catequese realizadas pelos padres Gaspar Lourenço e João Solônio em 1575.

 A segunda apresentação foi a de Pedro Abelardo, "A catequese e a Civilização dos índios no Império" que tratou dos diversos tipos de catequese e da ação de José Bonifácio no território. Para a concluir o primeiro dia de apresentações , Whitney Fernandes falou sobre as atitudes dos Índios de Pacatuba diante da usurpação de suas terras.

 O segundo dia de apresentações teve como tema central a Identidade e a Luta do Povo Xokó e contou com a participação do Professor de Geografia Avelar Araújo Santos que se aprofundou no movimento indígena e na atualização de suas pautas de luta. Ele citou através de dados do IBGE , estatísticas que envolviam a população indígena e a ocupação dos seus territórios , além de destacar a luta contemporânea no estado da Bahia.

 A última apresentação da noite , realizada pelo ex-cacique Xokó , Apolônio Xokó , misturou diversos tipos de emoções quando ele nos contou sobre a luta de várias décadas do seu povo pelas terras , o sofrimento e as dificuldades que eles tiveram que enfrentar . Ele conseguiu retratar no seu depoimento situações marcantes que nos prendiam a atenção e nos faziam querer mais e mais entender a situação do povo Xokó. Por fim ,abriu-se um espaço para debates acerca dos temas apresentados e também ocorreu o sorteio de prêmios.